sábado, 22 de janeiro de 2011

O SÍMBOLO PERDIDO ( 2 ) -Dan Brown


Seus pés eram as garras de um gavião. Suas pernas - Boaz e jaquim -, os antigos pilares da sabedoria. A virilha e o abdómen eram as arcadas do poder místico. Pendendo sob essa arcada, o imenso sexo exibia os símbolos tatuados de seu destino. Em outra vida, aquele pesado bastão de carne tinha sido sua fonte de prazer carnal. Mas agora não mais.
-Eu fui purificado.
Assim como os monges eunucos místicos de Katharoi, MaFakh havia removido os próprios testículos. Sacrificara sua potência física em troca de outra mais valiosa.
-Os deuses não têm sexo.
Depois de se livrar daquela imperfeição humana juntamente com o impulso terreno da tentação sexual, MaFakh se igualara a Urano, Átis, Sporus e aos grandes mágicos castrati da lenda arturiana. Toda metamorfose espiritual é precedida por outra, física. Era essa a lição de todos os grandes deuses... Osíris, Tammuz, Jesus, Shiva e até mesmo o próprio Buda.
-Devo me despir da vestimenta de homem.
De repente, Mal'akh dirigiu o olhar para cima, passando pela fénix de duas cabeças em seu peito, pelo mosaico de antigos sigilos que lhe adornava o rosto, até chegar ao topo da cabeça. Inclinou-a na direção do espelho, mal conseguindo ver o círculo de pele não tatuada que aguardava ali.
-Aquele lugar era sagrado.
Conhecido como fontanela, era a única área do crânio humano que ainda não se encontrava ossifïcada no nascimento. Uma janela para o cérebro. Embora esse portal fisiológico se fechasse em poucos meses, ele continuava sendo um vestígio simbólico da conexão perdida entre os mundos exterior e interior.
Mal'akh analisou aquele trecho sagrado de pele virgem, rodeado por um ouroboros - uma serpente mística devorando o próprio rabo. A pele nua pareceu retribuir seu olhar... brilhando de promessa.
Robert Langdon logo iria desvendar o grande tesouro de que MaFakh precisava. Quando o obtivesse, o vazio no topo de sua cabeça seria preenchido, e ele finalmente estaria pronto para a transformação final.
MaFakh atravessou descalço seu quarto de dormir e retirou da última gaveta da cómoda uma longa faixa de seda branca. Como já havia feito diversas vezes, enrolou-a em volta do sexo e das nádegas.
Então desceu para o andar de baixo.
Foi até o escritório e abriu o computador para checar seus e-mails.
Seu contato acabara de lhe enviar uma mensagem:

Em O Símbolo Perdido, o célebre-professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon — eminente maçom e filantropo — a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal'akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem-o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode encontra-lo. Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian.

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