domingo, 17 de outubro de 2010

Preciosa - Uma História de Esperança



Em “Preciosa”, a rotina da personagem título (Gabourey Sidibe) consiste em voltar da escola e preparar o jantar para a mãe, Mary (Mo’Nique). Mary provavelmente poderia fazer o jantar sozinha. Mas assim é mais fácil para ela jogar o jantar fora ou em Preciosa.

Claireece, que prefere ser chamada de Preciosa (seu segundo nome) é negra, obesa e, aos 16 anos, espera seu segundo filho, cujo pai, é seu próprio pai. Esse último fator é o catalisador da violência e ciúme da mãe. O relacionamento se destrói aos poucos. Mas Preciosa aos poucos percebe o que ela precisa.

O filme cataloga com certa riqueza a parte feia dos relacionamentos humanos. Foi feito para parecer presumivelmente feio, sublinhando, dessa forma, a tristeza da vida de Preciosa. Evitando os truques de animar o público ao fim da projeção, o filme mergulha no rosto de sua protagonista que, apesar de todo seu sofrimento, sempre procura uma razão para viver.

O diretor Lee Daniels traz para a tela uma vitalidade que bate de frente com o horror o qual ouvimos falar e ver, sem apresentar uma coisa maçante. Ele parece dizer que, viver significa estar vivo para saborear o bem para sentir a confusão do mal. Assim, sua câmera geralmente fica próxima ao sexo e os assaltos, mas também nos transporta para a psique de Preciosa, onde ela mistura suas vergonhas e fantasias.

Enquanto a narração nos transporta cada vez mais para dentro da imaginação da personagem, onde descobrimos seu interesse por seu professor de matemática e tantas outras coisas, os pesadelos das transgressões de seu pai persistem. Cortesia da montagem que justapõe o estupro e os alimentos gordurosas preparados por Claireece.

Por não usar dos truques para animar a plateia, o filme não irá agradar quem espera por finais comuns. No fim de outro filme – um que não precisamos ver – Preciosa estaria passando na rua ao fim de sua trajetória. Um caçador de talentos a ouviria cantar e a contrataria para que a mesma pudesse ser feliz de uma forma Hollywoodiana. Não é o que acontece. As imagens aqui são de uma mulher longe das mãos de Hollywood, mas que está determinada a salvar-se e ser feliz...

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