quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ZILDA ARNS MORRE EM TERREMOTO NO HAITI

O tremor de 7 graus na escala Richter que atingiu a capital do Haiti, Porto Príncipe, na tarde da terça-feira causou a morte da médica sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, além de 11 militares brasileiros que integravam a missão de paz da ONU no país. Ainda não há uma contagem oficial de mortos, mas teme-se que centenas ou até milhares de pessoas possam ter morrido e até 3 milhões de pessoas tenham sido afetadas, segundo a Cruz Vermelha Internacional, no maior terremoto no país em dois séculos.
Zilda Arns, irmã do arcebispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, teria morrido após escombros caírem sobre ela.
Ela estava no Haiti em uma missão da organização, participando de encontros com religiosos haitianos, segundo a Pastoral da Criança.

UMA VIDA DEDICADA AO BEM
Zilda Arns Neumann, médica pediatra, sanitarista e especialista em Pediatria Social e Saúde Pública, é a criadora da bem-sucedida metodologia aplicada no trabalho da Pastoral da Criança, organismo da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – que ela coordena desde 1983. Com sede em Curitiba (PR), a Pastoral presta atendimento básico a crianças nas áreas de saúde pública, nutrição e educação. Zilda nasceu em 25 de agosto de 1934, em Santa Catarina.

Aos 73 anos, ela já foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz três vezes seguidas e recebeu 19 prêmios entre 1988 e 2002. Por exemplo, uma menção especial pela UNICEF – Brasil como personalidade brasileira de destaque no trabalho em prol da saúde da criança; o Prêmio Internacional OPAS – Organização Pan-americana de Saúde, em Administração Sanitária, em 1994, e o título de Heroína da Saúde Pública das Américas, em 2002.
Antes de começar a coordenar a Pastoral, Zilda atuou em diversas outras frentes. Trabalhou como pediatra no Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba, onde lidava com bebês menores de um ano, como diretora técnica da associação filantrópica Sara Lattes e como chefe da divisão de Proteção Social do departamento da Criança da Secretaria de Saúde Pública do Paraná. Em 1980, durante a primeira epidemia de poliomielite no Estado, coordenou a campanha de vacinação Sabin. Dois anos depois, em 1982, uma comunidade de bóias-frias localizada no município de Florestópolis, no Paraná, foi escolhida para a experiência piloto da implantação do projeto de Zilda, por apresentar índices alarmantes de mortalidade infantil – 127 por mil nascidos vivos. Depois de fazer um treinamento na John Hopkins University, nos EUA, ela foi convidada em 1983 pela CNBB e pela Unicef para fazer, com a Igreja, um trabalho pela sobrevivência infantil, tornando-se coordenadora nacional da Pastoral da Criança.
Zilda Arns morreu em 12 de janeiro de 2010 em um terremoto no Haiti, onde iria ministrar uma palestra na conferência Nacional dos Religiosos do Caribe.

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